Portugal 2026: conhecimentos e comportamentos sobre a microbiota

A pesquisa foi realizada pela Ipsos com 7.500 pessoas em 11 países (França, Portugal, Polônia, Finlândia, Itália, Alemanha, Estados Unidos, México, Brasil, China e Vietnã).

Portugal e a microbiota:
baixa conscientização, mas a educação sobre a microbiota oferecida pelos profissionais de saúde está melhorando gradualmente.

Resumo dos resultados de Portugal no inquérito

Em 2026, Portugal confirma uma tendência que tem caracterizado o país em todas as edições: a conscientização sobre a microbiota fica atrás da maioria dos países europeus, mas a trajetória está melhorando gradualmente. A formação dos profissionais de saúde, embora ainda limitada em termos absolutos, é o único indicador que evolui na direção certa: 20% dos entrevistados em Portugal receberam todas as informações essenciais, um valor próximo da média global e significativamente superior ao da França e da Alemanha (+1 ponto em relação a 2025). Os comportamentos estão atingindo a média global pela primeira vez.

1. Os portugueses demonstram um conhecimento reduzido, mas em crescimento, do termo microbiota

2 em cada 3 portugueses inquiridos já ouviram falar da microbiota, uma percentagem inferior tanto à média europeia (70%) quanto à média global (72%). Embora isso represente um progresso gradual em relação aos anos anteriores, Portugal permanece consistentemente atrás do conjunto da Europa e apresenta um atraso significativo no que diz respeito à profundidade do conhecimento.

66%

 

 

dos entrevistados portugueses já ouviram falar do termo microbiota

(contra 77% a nível global)

21%

1 em cada 5 deles sabe exatamente o que é a microbiota

(contra 24% no mundo)

28%

 

deles já ouviram falar das 7 microbiotas específicas

(contra 32% em nível global)

Uma taxa de conhecimento que reflete a tendência europeia

Tal como na maioria dos países europeus, os inquiridos em Portugal apresentam um perfil de conhecimento centrado na microbiota intestinal. Todas as outras microbiotas são reconhecidas em percentagens inferiores à média global:

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Conhecimento próximo da média global, com lacunas específicas

Os participantes portugueses obtiveram uma pontuação média de 5,5/9 nas perguntas de conhecimento específico, um pouco acima da média global de 5,4. As bases são sólidas, mas persistem algumas lacunas críticas:

Mas, como na maioria dos países, surgem lacunas em temas mais específicos:

  • 58% dos entrevistados não sabem que a microbiota não se encontra exclusivamente no intestino;
  • 56% não sabem que a microbiota pode influenciar a resposta ao tratamento do câncer;
  • 81% não sabem que as alergias respiratórias podem estar relacionadas ao desequilíbrio da microbiota intestinal.
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2. Os portugueses continuam a adotar hábitos alimentares favoráveis à microbiota e mais mudanças comportamentais

50% dos entrevistados portugueses mudaram seus hábitos para proteger sua microbiota, um aumento em relação aos 49% registrados em 2025 e aos 47% de 2024. Pela primeira vez, Portugal está atingindo a média global (53%). Essa melhoria é encorajadora, mesmo que certos hábitos comportamentais ainda apresentem lacunas significativas.

50%

dos portugueses mudaram seus hábitos para proteger sua microbiota

(contra 53% em nível global)

62%

 

 

 

mais da metade considera que sua microbiota intestinal está bem equilibrada

(contra 59% em nível globaly)

57%

 

 

deles consomem frutas e vegetais diariamente

(contra 40% em nível global)

Os portugueses apresentam hábitos alimentares favoráveis à microbiota

Portugal destaca-se positivamente em certos hábitos alimentares, especialmente no consumo de frutas e vegetais. No entanto, os hábitos de suplementação voltados para a microbiota ainda são pouco desenvolvidos:

57% dos portugueses afirmam consumir várias frutas e vegetais diariamente (contra 40% a nível global) e não beber álcool com frequência ou nunca (78% contra 85% a nível global).

Alguns hábitos poderiam ser reforçados

Apesar de uma base sólida, a suplementação voltada para a microbiota e o estilo de vida poderiam ser melhorados:

Apenas 41% dos portugueses afirmam consumir alimentos fermentados regularmente (contra 67% a nível global), e 68% afirmam praticar atividade física pelo menos uma vez por semana (contra 73% no total).

Bacterial diarrhea: the only case where antibiotics can be used

No que diz respeito à suplementação, 34% dos portugueses consomem probióticos e 28% consomem prebióticos — ambos os índices ficam abaixo das médias globais de 42% e 38%, respectivamente.

Qual é a diferença entre prebióticos, probióticos e pós-bióticos?

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Photo HCPs: AMR page for the 2025 WAAW campaign

3. Profissionais de saúde altamente confiáveis que oferecem mais informações sobre a microbiota e prescrevem probióticos de forma ativa

A confiança nos profissionais de saúde em Portugal é quase absoluta: 98% dos entrevistados, chegando a 100% entre aqueles com 60 anos ou mais, citam os profissionais de saúde como sua fonte mais confiável de informações sobre a microbiota. Essa confiança é generalizada em todos os grupos demográficos e faixas etárias. O que distingue Portugal de seus vizinhos europeus não é a confiança, mas o que acontece a seguir.

98%

 

 

 

 

 

dos entrevistados  em Portugal citam os profissionais de saúde como uma de suas principais fontes de informação sobre a microbiot

(contra 94% a nível global)

20%

receberam todas as informações essenciais sobre a microbiota de seus profissionais de saúde

(contra 23% em nível global)

35%

 

deles receberam uma explicação sobre o que é a microbiota

(contra 39% em nível global)

Os profissionais de saúde em Portugal demonstram uma melhoria constante na orientação aos pacientes

Ao contrário da França e da Alemanha, onde a informação transmitida pelos profissionais de saúde está diminuindo, Portugal apresenta uma tendência gradual de aumento. A melhora é modesta, mas consistente ao longo de três anos consecutivos:

43% dos entrevistados em Portugal receberam orientações sobre comportamentos favoráveis à microbiota que devem adotar (+3 pontos em relação a 2025). 41% foram informados sobre a importância de preservar o equilíbrio da microbiota (+5 pontos em relação a 2024). E 35% receberam uma explicação sobre o que é a microbiota (+1 ponto em relação a 2025).

Essas informações são distribuídas de maneira uniforme entre os diferentes grupos demográficos, ao contrário do que ocorre em muitos países, onde os pacientes mais jovens recebem mais informações. Em Portugal, a qualidade da comunicação dos profissionais de saúde não varia significativamente em função da idade, o que constitui uma característica positiva notável.

As prescrições de probióticos estão aumentando drasticamente

Uma das tendências mais marcantes em Portugal em 2026 é o aumento acentuado das prescrições de probióticos e prebióticos:

  • 43% dos entrevistados receberam prescrição de probióticos ou prebióticos (+11 pontos desde 2023);
  • Apenas 19% receberam todas as informações essenciais sobre a microbiota do seu profissional de saúde quando lhes foram prescritos antibióticos (contra 25% globalmente);
  • 28% receberam prescrição conjunta de probióticos e antibióticos (contra 38% globalmente). 
Antibiotics: what impact on the microbiota and on our health?

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4. Os primeiros 1.000 dias: um conceito ainda amplamente desconhecido entre os pais portugueses

O estudo sobre os primeiros 1.000 dias revela que há espaço para melhorias na educação parental em Portugal. Cerca de 1 em cada 3 pais e mulheres grávidas portugueses já ouviram falar do conceito (abaixo da média global de 43%). Mais impressionante ainda: apenas 23% dos pais receberam todas as informações essenciais do pediatra (contra 31% a nível global).

32%



 

dos pais/mulheres grávidas portugueses conhecem o conceito dos primeiros 1.000 dias

(contra 43% a nível mundial)

9%

deles afirmaram saber exatamente o que isso significa

(contra 15% em nível global)

29%

 

afirmam ter recebido informações sobre o desenvolvimento precoce da microbiota por um profissional de saúde

(contra 39% em nível global)

Equívocos significativos entre os pais portugueses

  • 11% dos pais sabem que a microbiota do bebê não começa a se desenvolver dentro do útero materno, o que está em linha com a média global; 
  • 84% não sabem que, aos 5 anos de idade, a microbiota intestinal ainda não é semelhante à de um adulto (contra 71% globalmente);  
  • 36% não conhecem o impacto do uso precoce de antibióticos no desenvolvimento da microbiota intestinal infantil, um número ligeiramente superior à média global de 35%;
  • Apenas 38% sabem que o contato com animais de estimação durante os primeiros anos de vida influencia a microbiota intestinal.

Em Portugal, existe um elevado nível de confiança nos profissionais de saúde. No entanto, esses profissionais não parecem estar muito ativos na educação dos pacientes sobre a microbiota, embora estejam cada vez mais a prescrever probióticos. No que diz respeito aos primeiros 1000 dias, os pais portugueses recebem menos informação do que os de outros países europeus, o que revela mais uma oportunidade para a educação sobre a microbiota.

Metodologia

Esta quarta edição do Observatório Internacional da Microbiota foi realizada pela Ipsos junto a 7.500 pessoas em 11 países (França, Portugal, Polônia, Finlândia, Itália, Alemanha, EUA, Brasil, México, China, Vietnã), entre 3 de fevereiro e 13 de março de 2026. As amostras são representativas da população com 18 anos ou mais, por meio de amostragem por cotas (gênero, idade, região, categoria socioprofissional). A significância estatística é calculada com um nível de confiança de 95%. A pesquisa durou dez minutos.

O questionário abordou: conscientização e conhecimento sobre a microbiota; informações recebidas de profissionais de saúde; comportamentos; conhecimento das mulheres sobre a microbiota vaginal; conhecimento dos pais sobre os primeiros 1.000 dias; e dados de saúde.

BMI-26.40