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De manhã, prefere comer ovos ou é adepto dos flocos de aveia? Uma equipa de cientistas testou estasas duas estratégias em adultos com excesso de peso. Perda de peso, apetite, microbiota…: as conclusões apontam para diferenças inesperadas.
 

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Sobre este artigo

Publicado em 17 Junho 2026
Atualizado em 18 Junho 2026

O pequeno-almoço é uma refeição indispensável para quem quer perder peso ou manter a linha.
Mas será que é melhor privilegiar as proteínas (laticínios, ovos, fiambre, etc), conhecidas pelo seu efeito de saciedade, ou preferir as fibras alimentares (flocos de aveia, pão integral, frutas, etc), benéficas para a saúde intestinal?
 

50% A alimentação é responsável por mais de 50 % da variabilidade da microbiota. ¹

Ricos, equilibrados, mas diferente

Para tentarem encontrar resposta para esta pergunta, uma equipa de investigadores 2 britânicos submeteu 19 adultos com excesso de peso ou obesos a uma dieta equilibrada, mas hipocalórica, durante 28 dias. A referida dieta consistiu em pequenos-almoços abundantes (45% das calorias diárias) e jantares leves (apenas 20%).
Durante 28 dias, cada um seguiu:

  • primeiro um regime mais rico em fibras (30 g por dia para 15% das calorias sob a forma de proteínas), 
  • depois outro mais rico em proteínas (representando 30% das calorias para menos de 15 g de fibras por dia) 
  • ou vice-versa, com um intervalo entre ambos. 

Os cientistas monitorizaram a evolução do peso, da sensação de saciedade e dos marcadores sanguíneos… e recolheram as fezes dos participantes para uma análise da microbiota. O que mostram os resultados?

Uma dieta mediterrânica boa para o corpo e boa para o coração

Saiba mais

Uma nítida perda de peso

Em ambos os grupos, observou-se uma perda de peso substancial: cerca de 5 kg no grupo das fibras e aproximadamente 4 kg no grupo das proteínas. A tensão arterial, a glicemia em jejum e os níveis de lipídios no sangue também diminuíram de forma significativa, o que refletiu uma notável melhoria no estado de saúde dos voluntários.
A sensação de saciedade, por outro lado, verificou-se ser mais pronunciada no grupo das proteínas, o que sugere que estas podem ser úteis para regular o apetite quando não se está a fazer dieta, ou para ajudar a aguentar durante mais tempo em situações de privação alimentar. 
E quanto à microbiota intestinal? Aqui já é outra história...

O que é uma alimentação "saudável" (de acordo com a OMS)?

A OMS 3 salienta que não existe um “modelo” único, mas sim quatro princípios: adequação, equilíbrio, moderação e diversidade. 
Na prática, deve ser sobretudo dada prioridade a:

  • alimentos pouco ou nada transformados e variados; 
  • pelo menos 400 g de frutas e legumes por dia (a partir dos 10 anos de idade); 
  • pelo menos 25 g de fibras por dia (a partir dos 10 anos), provenientes de cereais integrais, leguminosas, frutas e legumes; 
  • menos açúcares livres: idealmente <10% da energia total (ou mesmo <5% para mais benefícios); 
  • lipídios de melhor qualidade: limitar as gorduras saturadas (<10 %) e trans (<1 %), optando pelas insaturadas (óleos vegetais, peixe, frutos secos)
Açúcares livres

Os açúcares adicionados aos alimentos/bebidas (pelo fabricante, pelo cozinheiro ou por si) + os açúcares naturalmente presentes no mel, nos xaropes, nos sumos de fruta e nos concentrados de sumos. 

Gorduras saturadas

Gorduras presentes principalmente em produtos de origem animal (manteiga, natas, queijos, carnes gordas) e também em determinadas gorduras vegetais (por exemplo, óleo de coco/palma). A evitar. 

Gorduras trans

Gorduras industrialmente modificadas (frequentemente através de “hidrogenação”) que se encontram sobretudo em determinados produtos ultraprocessados. A OMS recomenda manter o seu consumo muito reduzido. 
 

Gorduras insaturadas

Gorduras que se encontram sobretudo nos óleos vegetais (de colza, de girassol, no azeite, etc), nas nozes/sementes e nos peixes gordos. São estas a que devemos dar preferência quando substituímos as gorduras saturadas e trans.
 

Fibras: aliadas da microbiota

A análise das estirpes bacterianas revelou que, em comparação com a “dieta das fibras”, a “dieta das proteínas” provocou uma acentuada perda de diversidade e uma redução na abundância de bactérias reconhecidas pelos seus efeitos benignos: bifidobactérias e bactérias produtoras de butirato, como Faecalibacterium, Roseburia e Anaerostipes. 

Segundo estudos anteriormente realizados, este tipo de perfil da microbiota — resultante do facto de os regimes alimentares ricos em proteínas e pobres em fibras provocarem uma redução acentuada das referidas bactérias e dos seus produtos metabólicos benéficos — está associado a um aumento do risco de várias doenças.

08.07.2020 Dietas vegetarianas e vegans são saudáveis? Mais informação

O papel fundamental do butirato

O papel fundamental do butirato ( (sidenote: Ácidos Gordos de Cadeia Curta (AGCC) Os Ácidos Gordos de Cadeia Curta são uma fonte de energia (carburante) das células do indivíduo, interagem com o sistema imunitário e estão envolvidos na comunicação entre o intestino e o cérebro. Silva YP, Bernardi A, Frozza RL. The Role of Short-Chain Fatty Acids From Gut Microbiota in Gut-Brain Communication. Front Endocrinol (Lausanne). 2020;11:25. ) ), é, com efeito, importante para a manutenção da saúde intestinal: trata-se de uma fonte de energia para as células do intestino, reforça a barreira intestinal e parece possuir propriedades anti-inflamatórias e anticancerígenas.
Na prática, o pequeno-almoço rico em proteínas demonstrou-se mais eficaz para saciar o apetite. No entanto, o pequeno-almoço rico em fibras teve uma influência mais positiva na microbiota, com uma maior presença de bifidobactérias e de bactérias produtoras de butirato. Então, qual destes pequenos-almoços é o ideal para si?

Fontes

1. Moles L, Otaegui D. The Impact of Diet on Microbiota Evolution and Human Health. Is Diet an Adequate Tool for Microbiota Modulation? Nutrients. 2020 Jun 2;12(6):1654.

2. Fyfe C, Donachie G, Louis P, et al. Big breakfast diet composition impacts on appetite control and gut health: a randomised weight loss trial in adults with overweight or obesity. Br J Nutr. 2026 Feb 11:1-15. 

3. WHO

Tags
Pequeno-almoço Proteína Fibra Digestão Dieta Equilibrio Alimentar Microbioma Flora

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